Exames, adaptação e ciclo reprodutivo: entenda os próximos passos entre Cavalo Caramelo e égua escolhida para reprodução
Cavalo Caramelo e a pretendente "Hora Extra" Reprodução; Bruno Todeschini/ Grupo RBS 🐴 Depois de ganhar a companhia da égua "Hora Extra" no Hospital Veterinário...
Cavalo Caramelo e a pretendente "Hora Extra"
Reprodução; Bruno Todeschini/ Grupo RBS
🐴 Depois de ganhar a companhia da égua "Hora Extra" no Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas, o Cavalo Caramelo pode estar mais perto de gerar seu primeiro descendente.
No entanto, antes de qualquer tentativa de reprodução, a fêmea passará por avaliações clínicas, recuperação da condição física e acompanhamento do ciclo reprodutivo.
Caramelo ficou ilhado por quatro dias no telhado de uma casa em Canoas, durante as enchentes no Rio Grande do Sul há dois anos. Relembre abaixo.
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A égua Crioula, de seis anos, vinda de São Sebastião do Caí, chegou ao hospital na semana passada e iniciou um período de adaptação à nova rotina. Segundo a equipe responsável, os dias serão dedicados à realização de exames e ao monitoramento das condições de saúde do animal.
Além disso, Hora Extra deverá receber alimentação complementar para ganhar peso. Como vivia solta no campo, ela chegou mais magra e com bastante pelagem. A expectativa é que esse processo de melhora física dure cerca de uma semana antes do avanço para as etapas seguintes.
"Chegou super bem, está ótima de saúde. Agora ela está no piquete, solta a campo", diz a médica veterinária e diretora do Hospital Veterinário da instituição, Laura Cezimbra. "Vamos observar a égua nos primeiros dias e fazer os exames médicos", explica.
Somente após a adaptação ao ambiente e a conclusão das avaliações veterinárias será possível iniciar uma aproximação maior entre os dois animais.
Descrita como dócil e tranquila, a égua conta com uma "pelagem zaina", ou seja, com tom marrom escuro e profundo.
De acordo com o Hospital Veterinário da Ulbra, a reprodução dependerá também do momento adequado do ciclo reprodutivo da égua e será feita por monta natural. Caso a fecundação ocorra, a gestação deverá durar aproximadamente 11 meses.
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Entenda como foi escolha de égua para reprodução
A escolha da égua levou em conta principalmente questões de bem-estar animal. A equipe da Ulbra recebeu contatos de outras propriedades interessadas, mas muitas ficavam distantes, o que exigiria viagens mais longas.
Por estar relativamente perto de Canoas, a égua foi considerada a alternativa mais adequada para o transporte.
Interesse mútuo
Égua "Hora Extra", no espaço do Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas
Bruno Todeschini/ Grupo RBS
Mesmo sem estarem juntos no mesmo espaço, os dois tiveram contato no primeiro dia. Instalados em piquetes vizinhos, Caramelo e Hora Extra conseguem se ver e já ficaram próximos.
De acordo com Laura, o cavalo demonstrou interesse desde os primeiros momentos.
"O Caramelo se demonstrou bastante interessado, cheirando a fêmea bastante, relinchando, a gente vê que ele tem interesse. Eles estão em piquetes próximos, estão se enxergando, pastando pertinho, mas não estão juntos, é só uma proximidade mesmo", explica a diretora.
Segundo ela, a reação foi considerada positiva porque a aptidão reprodutiva do animal nunca havia sido observada anteriormente.
A receptividade também partiu da nova companheira. Hora Extra permaneceu calma durante a chegada e agora passa os primeiros dias de adaptação no espaço ao lado do de Caramelo.
"Ela também é super receptiva, bem mansa mesmo", comenta.
Projeto de reprodução
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A ideia de permitir que Caramelo tenha um filhote nasceu da relação criada entre o animal e o público que acompanha sua trajetória desde o resgate. De acordo com a veterinária, os seguidores costumam pedir novidades sobre a vida do cavalo e demonstram interesse em acompanhá-lo em novas fases.
Embora não possa conviver livremente em grupo por ser um garanhão — um cavalo macho não castrado —, ele mantém contato próximo com outros equinos que vivem no campus, incluindo fêmeas.
"Se viu que ele tinha bastante interesse, comportamento de garanhão. Em reuniões, inclusive comentando se castra ou não castra, o pessoal surgiu com a ideia de ter um filhote para de fato fazer a questão mais social do Caramelo com os seus seguidores", explica Cezimbra.
A diretora afirma que a iniciativa não tem relação com preservação genética. Segundo ela, o objetivo está ligado ao significado que Caramelo passou a representar para muitas pessoas após a enchente. Para a universidade, a história do animal desperta um forte vínculo afetivo e funciona como uma mensagem de resistência e superação.
"Existe uma questão afetiva muito grande envolvendo o Caramelo", comenta a veterinária.
Cavalo Caramelo agora está hospedado no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas
Bruna Linck/Ascom Ulbra
Conforme Cezimbra, Caramelo vive uma rotina considerada normal para um cavalo. Durante a noite, permanece em um espaço protegido e, ao longo do dia, fica solto em um piquete próprio.
Hoje, com cerca de 11 anos, Caramelo vive no campus da Ulbra, em Canoas. O cavalo ganhou recentemente um piquete exclusivo de 250 metros quadrados, onde passa boa parte do dia correndo, pastando e rolando na grama.
O espaço também facilitou a visitação do público e as atividades dos estudantes de Medicina Veterinária, que convivem com ele nas aulas práticas.
Relembre o resgate
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O resgate foi feito pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo — veterinários acompanharam toda a ação. Caramelo precisou ser sedado porque a equipe foi alertada que, para o bote não virar, o animal não poderia estar acordado durante o trajeto.
Seco, Caramelo, ainda dentro do bote, foi colocado em cima de uma carreta e, em seguida, levado ao hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor a quantidade de líquido perdida nas horas em que ficou ilhado.
A mobilização da população e das forças de segurança comoveu o país e sintetizou a relação histórica do cavalo com o povo gaúcho. O cavalo crioulo é animal-símbolo do RS e considerado patrimônio cultural desde 2002. A relação com o animal é uma tradição que faz parte do DNA do povo gaúcho.
Um ano após a catástrofe, a RBS TV apresentou o RBS.Doc. A equipe conversou com pessoas afetadas, voluntários, moradores que perderam tudo e familiares de vítimas. Nos locais atingidos, encontrou exemplos de solidariedade e união.
Como está o cavalo Caramelo, símbolo da enchente histórica no RS
Reprodução TV Globo / Bruna Linck/Ascom Ulbra
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